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photo of horse carving on wall


horse and person going into battle


painting of a man riding a horse


Três conclusões importantes derivam da recente história do Cavalo Ibérico:


As qualidades e valor genético do Cavalo Ibérico fizeram com que ele sobrevivesse incólume a todas as incursões sanguíneas exógenas ocorridas, quer por acidentes históricos, quer pela ação desastrada do homem


Que nenhuma destas experiências genéticas conseguiu aprimorar a raça, mas muito pelo contrário só desvirtuou-a. Porém ao revés, onde entrou, o sangue ibérico só trouxe melhorias. Dele descendem todos os bons cavalos de sela hoje existentes e todas as raças equinas da América.


É a obrigação de manter este extraordinário patrimônio genético milenar que deve orientar a atuação dos criadores de hoje. É esse o trabalho que há cerca de 30 anos vem tentando realizar a Interagro.

 


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Este é o resumo de uma longa história que se estende por mais de 4.000 anos! Conhecê-la é muito importante porque dela se retiram ensinamentos, evitando a repetição de erros cometidos no passado. Numa raça milenar não há mais o que inovar; apenas preservar uma preciosa realidade. A própria raça, bem conservada, se encarrregará de produzir sua evolução e necessárias melhorias e adaptações.

O uso da cavalaria como arma de guerra na Península Ibérica é muito anterior ao que se tem notícia no resto do mundo antigo, datando de segundo milênio A. C. Não há provas do uso do cavalo de sela na Antiguidade; na iconografia da Babilônia e do Egito antigos, só aparecem cavalos engatados, puxando carros de combate.

Sabe-se que antes mesmo do período neolítico já se usava o cavalo domesticado na Península Ibérica. A chados arqueológicos, como as tumbas de guerreiros no sul da Península, demonstram terem existido, na idade do Bronze, grupos que combatiam montados, enquanto os infantes carregavam alabardas, que são armas próprias para derrubar cavaleiros.

Homero na Ilíada (Canto XVI) faz menção aos Cavalos Ibéricos, velozes como o vento e filhos da Harpia Podargo, fecundada pelo vento Zephir quando pastava pelos prados das margens do Rio Oceano ( o Atlântico). Freios, ferraduras e armas de ferro datando das invasões celtas ( séc. X e V a.C. ) comprovam a continuidade do uso da Cavalaria na Península Ibérica. Tucidides e Xenofonte relatam que um grupo de cavaleiros Ibéricos foi mandado por Dionísio de Siracusa em auxílio aos espartanos na guerra do Peloponeso ( séc. IV a.C. )

"A descrição das Guerras Púnicas por Estrabão é cheia de referências aos exímios cavaleiros lusitanos que facilmente atingiam eminências abruptas onde cavaleiros de outras nações não se aventuravam"

Na invasão da Espanha pelos Cartaginenses ( séc III a.C. ) os cavalos ibéricos inflingem pesadas perdas aos invasores, morrendo Amílcar, pai de Aníbal.Este, quando parte para a Itália, leva um numeroso contigente ( 12000 cavalos) da cavalaria ibérica. Estrabão, relatando estas campanhas, considera os lusitanos exímios cavaleiros, que atingiam "eminências abruptas onde cavaleiros de outras nações não se aventuravam". Asdrúbal, irmão de Aníbal, levou consigo cavalos ibéricos para Cartago.

O cavalo que aqui na América se originou e posteriormente se extinguiu, para cá retornou, sob a forma do cavalo ibérico trazido pelos conquistadores espanhóis. Esse retorno deu-se inicialmente na ilha Hispaniola (S. Domingo), com os primeiros cavalos e éguas que Colombo trouxe na sua segunda viagem em 1493. De lá, espalharam-se pelas ilhas de Porto Rico, Cuba e Jamaica e delas para América Central e Colômbia, de onde passaram para o Peru, Equador, Bolívia e Chile. Chegaram ao México com Cortez e daí expandiram-se pelo oeste da América do Norte. Na América do Sul chegaram em 1535 trazidos por Pedro Mendoza. Por outro lado, os cavalos bandonados, quando da destruição de Buenos Aires pelos índios, constituíram a base de numerosas manadas dos cimarrones ou baguales, que por sua vez, deram origem ao cavalo Crioulo. Cabeza de Vaca em 1541, trouxe cavalos para o Paraguai, desembarcando na costa brasileira, provavelmente em Santa Catarina.

Todas as raças cavalares formadas no Continente Americano são direta ou indiretamente descendentes dos Cavalos Ibéricos. Nos Estados Unidos, o Mustang ou Mesteño, o Quarto de Milha, o Appaloosa, o Seminola e o Cayuse ou Indian Poney. Na América do Sul, o Crioulo, que salvo modificações do meio ambiente, é memso cavalo do Norte ao Sul do Sub-Continente.

"Todas as raças formadas o Continente Americano, como Mustang, Quarto de Milha, Appaloosa, Seminola, Cayuse, Mangalarga, Crioulo, Campolina, etc descendem direta ou indiretamente do Cavalo Ibérico"

No período imperial, como atestam Políbio e Tito Lívio, os cavaleiros ibéricos foram teríveis adversários para as legiões romanas durante guerras que duraram mais de 200 anos. Os romanos, como relata Dr. José Monteiro:

"... nunca se notabilizaram pela sua cavalaria, sempre batida pela cavalaria ibérica...A própria tática de combater e a equitação da Península são adotadas pelos romanos. Grande reputação como cavaleiro e domador de cavalos teve o lusitano Caio Apuleio Diocles...que viveu no Século III da nossa era e teve uma estátua em Roma, no Campo de Marte".

Segundo o Dr. Ruy d’Andrade, hipólogo e "pai da linhagem"Andrade, as estátuas de Balbo, de Calígula (com Incitatus, o cavalo de altos andamentos) e mais tarde a de Marco Aurélio (que era espanhol) são sinais evidentes do cavalo ibérico que usavam os romanos.

Os bárbaros que ocuparam a Ibéria (409) não fizeram desaparecer a civilização romana e a criação cavalar continuou. Isidoro nas "Laudes Hispanie"diz que os cavalos ibéricos eram os melhores do mundo.

Romanos e cartagineses e todos os demais invasores trouxeram animais da Itália, Líbia, Numídia e Mauritânia e de outras regiões nas sucessivas incursões que realizaram na Península Ibérica.

Porém, como bem diz Ruy d’Andrade:

"... a calma e o descanso que gozou a Espanha desde 100 anos antes de Cristo até cerca de de 500 d.C. representam um período de cerca de 600 anos, que acrescido de mais 250 anos do período Godo (450 a 700 d.C ) completa um total de mais de 800 anos, tempo mais que suficiente para a formação e fixação de uma raça plenamente adaptada ao meio."

Na invasão dos árabes, as versões são várias e contraditórias, como atesta o Dr. José Monteiro:

"... a invasão da Península pelos muçulmanos se fez com diminuta cavalaria...quase que exclusivamente bérbere, outros avaliam-na em 17.000 cavaleiros e outros em ainda 30.000".

Durante a longa dominação moura (711 a 1492) houve nova introdução de sangue pelas importações africanas de Marrocos. Todavia, não havendo na época grandes diferenças raciais entre os cavalos do Norte da África e os da Península Ibérica, essa nova adição sanguínea, como as anteriores, foi absorvida sem modificar o tipo racial homogêneo autóctone. Sabendo-se contudo que o cavalo ibérico encantou os novos invasores, continuando durante a ocupação moura a desenvolver-se a criação na Península Ibérica e havendo grandes exportações de animais para a África e o Oriente.

A Idade Média foi outro período de afirmação do valor do cavalo ibérico, usado nas Cruzadas por guerreiros como Ricardo Coração de Leão (1119)

"Para a Europa da Idade Média, o Ibérico era o verdadeiro cavalo de sangue e por isso foi exportado para toda parte para fazer cavalos ligeiros" escreveu Dr Ruy d’Andrade.

Durante a Renascença, os cavalos ibéricos se destacaram na Itália sob a dominação de Ginnetes e Villani, que eram provavelmente o resultado de cruzas com cavalos vindos de França, Flandres e Alemanha. Essa influência mais se acentuou em Espanha ao tempo de Carlos V, Felipe II e Felipe III, que teriam introduzido o cavalo Napolitano.

Nos séculos XVII e XVIII procurou-se obter cavalos de maior porte e poder para levar cavaleiros vestidos de pesadas armaduras metálicas. A partir de 1700 inicia-se também a procura por animais de tiro, pois, as estradas já eram melhores, possibilitando sobretudo em França e Espanha a utilização de carros e carroças.

Data do século XVIII o início da grande diferenciação hoje evidente entre os cavalos espanhóis e portugueses. Como relata José Tello Barradas:

"... Embora havia vários fatores a condicionar a diferença entre as que hoje se consideram raças Andaluza e Lusitana, creio que o que mais pesou foi o aparecimento e total implantação do toureio a pé em Espanha... que surge nos primórdios do Século XVIII..."

Completa Arsênio Raposo Cordeiro:

"O abandono do toureio a pé na Espanha obriga a uma nova seleção do cavalo... que passou a ser usado como cavalo de recreio e animal de tiro ligeiro, onde a exuberância dos seus movimentos mais altos e menos progressivos era bem flagrante. Entretanto em Portugal, com a continuidade do toureio a cavalo, foi-se dando ao cavalo Lusitano uma mais cuidada seleção, no sentido de produzir um animal com reais potencialidades para a prática do toureio, onde não são anímicas força muscular e andamentos progressivos, com capacidade de reduções e aceleramentos bruscos."

A partir do Século XIX, com o advento da mala postal, melhoria das estradas e introdução das ferrovias, o cavalo de sela conheceu relativo declínio, acentuado no século seguinte, principalmente após a Grande Guerra (1914/18), pelo automóvel e pela injeção dos sangues inglês e árabe nas remontas militares.

"Os cavalos ibéricos foram na própria Península vítimas dessas modas. Delas só escaparam algumas manadas de criadores vernáculos e conservadores, vivendo de realidades, que não quiseram saber de novidades." Escreveu o Dr. Diz Ruy d’Andrade

A força da raça mostrou-se superior a todos esses acidentes históricos e novidades, por maiores ou piores que tenham sido essas incursões sanguíneas exógenas ou modismos, o cavalo ibérico sempre acabou por triunfar e assiste-se agora, em todo o mundo, a um renascimento vigoroso da procura por esses animais fabulosos e a conseqüente valorização mercadológica da raça.

Assim como os poucos milhares de cavalos de qualidade inferior que os bárbaros do Séc.V trouxeram não modificaram uma massa de mais de meio milhão de cavalos da Península Ibérica daquele tempo, também a introdução do sangue árabe nos séculos VII a XV ou do sangue do norte trazido pelo modismo dos séculos XVIII e XIX não tiveram influência sensível.

Como a colonização americana demonstrou, manadas de éguas criadas a campo com cavalos soltos, revertem ao tipo original e "o espúrio desaparece, expulso pela inadaptabilidade" (dr. Ruy d’Andrade).

Por essa razão conservou-se puro o Cavalo Ibérico, apesar de variantes de tamanho, de tipo e sobretudo de uso, nas diferentes regiões de Espanha e Portugal. Em 1967 fundou-se o Livro Genealógico Português de Eqüinos (Stud Book), cuja manutenção ficou a cargo da Associação Portuguesa dos Criadores do Puro Sangue Lusitano.

 

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